O que devo, posso e quero?
Trazemos à reflexão os princípios éticos. Mas, o que são princípios éticos? Muitos teóricos afirmam que é a base para que haja uma convivência social dentro de um ambiente harmonioso pautado pelo respeito mútuo. Outros observam a existência dos princípios éticos em diferentes circunstâncias e que se relacionam com diferentes atividades profissionais, tais como: ética política, ética religiosa, ética médica, ética profissional, entre outras. Fazemos referências às normas de conduta de um determinado segmento, ou seja, aquilo que deve ser feito dentro da área em que está inserido. De qualquer forma, quando nos referimos à ética, estamos nos pautando em um conjunto de princípios pré-determinados, para reger as ações do “bom” comportamento humano.
Equivocadamente, muitas vezes, usamos os termos ética e moral impropriamente. Trocamos os sentidos, do que, seja a ética e o moral. Etimologicamente, os termos ética e moral possuem origens distintas. A palavra ética vem do grego “Ethos” que significa o “modo de ser” ou “caráter”. E a palavra moral vem do latim “Mores” que significa “relativo aos costumes” ou “lugar onde mora”. Alguns autores apontam a distinção entre ambas, atribuindo à ética a busca de valores universais, e a moral, como código de valores específicos.
Segundo o filósofo e educador Cortella (2011), até o século VI a.C., a palavra “Ethos” em grego “ significava ‘morada do humano’, no sentido de caráter ou modo de vida habitual, ou seja, nosso lugar". Portanto, é aquilo que nos abriga e nos dá identidade. Para o autor, essa noção original da palavra “Ethos” não se perdeu com a tradução da expressão “more” para o latim, com o significado de “o lugar onde você morava, que era o teu habitus". Diante dessa interpretação, os dois termos: ética e moral assumem o mesmo significado, o de estar relacionado aos costumes e hábitos sociais. Onde a ética é o princípio, e a moral é a prática de uma ética.
Aprofundando, na reflexão, segundo Boff (2003), a ética é um conjunto de valores e princípios, de inspirações e indicações que nos orientam e valem para todos, pois estão ancorados na nossa própria humanidade. E moral é a concretização de como a ética é vivida dependendo da cultura de cada povo. Então, ética é uma só e moral são várias.
Outros autores pontuam a questão da moral como um conjunto de regras e crenças que determinam o comportamento das pessoas e, a ética como sendo a reflexão crítica sobre a moral.
Ainda, o escritor Leonardo Boff (2003), enfatiza: “A ética, para ganhar o mínimo de consenso, deve nascer da base última da existência humana. Esta não reside na razão, como sempre se pretendeu no Ocidente. A razão não é o primeiro nem o último momento da existência. Por isso não explica tudo nem abarca tudo. Ela se abre para baixo de onde emerge, de algo mais elementar e ancestral: a afetividade. Abre-se para cima, para o espírito, que é o momento em que a consciência se sente parte de um todo e que culmina na contemplação. Portanto, a experiência de base não é “penso, logo existo”, mas “sinto, logo existo”. Na raiz de tudo não está a razão (“logos”), mas a paixão (“pathos”)".
Claro e evidente, vivendo em sociedade, faz-se necessário elaborar certos consensos, restringir certas ações e desenvolver projetos que visem à coletividade a fim de dar sentido e rumo à história. Pois, não há sociedade seja no presente ou no passado que consiga coexistir sem uma ética, de acordo com Boff (2008). Mas, há de se concordar que ambas: ética e moral apresentam objetivos muito semelhantes, pois irão alicerçar a conduta dos seres humanos, definindo o caráter, favorecendo o sentimento de solidariedade e fraternidade dentro de uma vida em sociedade, assevera o escritor.
Investigando mais o assunto, a respeito da ética, encontramos nos estudos do escritor Mário Sérgio Cortella (2011) a seguinte afirmação, a ética é uma questão incondicionalmente humana, visto que pressupõe a possibilidade da escolha, da decisão, da opção. Então, a partir da racionalidade, somos o único animal capaz de realizar esta ação conscientemente – por isso, somos considerados: animais racionais.
Nessa perspectiva de sermos capazes, Cortella (2011) reforça a impossibilidade de se falar em ética sem falar em liberdade. Logo, o livre arbítrio é imprescindível para que o ser humano possa tomar para si o poder de decisão. Então, para Cortella (2011), todos nós – inicialmente – temos a ética. Assim, para o autor só pode ser considerado “aético”, ou seja, uma pessoa que não tem a ética, aquele que não é capaz de exercer a plena liberdade de escolha – “como crianças até certa idade e idosos a partir de determinada idade, ou ainda pessoas que tenham distúrbios mentais” – ou seja, não a possui, devido à sua incapacidade de decidir, julgar e avaliar. Portanto, se a ética está ligada aos princípios que regem a sociedade, aqueles que não seguem esses princípios, podem ser considerados antiéticos, diz o escritor".
Para o autor, ética é o modo como as pessoas compreendem as três grandes questões da vida: eu devo, eu posso, eu quero? Cortella (2011), remete-nos à reflexão: “Tem coisa que eu devo, mas não quero, tem coisa que eu quero, mas não posso, tem coisa que eu posso, mas não devo. Aqui, nestas questões, vivem aquilo que a gente chama de dilemas éticos; todas e todos sem exceção temos dilemas éticos, sempre, o tempo todo: devo, posso, quero?”
E o que dizem os teóricos sobre a tal liberdade? Logo, a questão de "liberdade de escolha" está atrelada à ética, ou diretamente relacionada à ética. Mas, observando os estudos de grandes escritores e filósofos, a liberdade está condicionada ao bem-estar coletivo, já que vivemos em sociedade. De acordo, com Boff (2003), afirma: “Faz-se mister uma ética comum, um consenso mínimo no qual todos possam se encontrar. E, ao mesmo tempo, respeitar as maneiras diferentes como os povos organizam a ética. [...]. A ética e as morais devem servir à vida, à convivência humana...”. E, ainda, a ética e a moral estão relacionadas aos tempos históricos, por isso, algo que possa ser considerado antiético ou imoral em um determinado momento histórico, pode não o ser em outro.
Chegamos ao fim, da nossa conversação. E para você, prezado(a) leitor(a), o que acha? Quais os seus princípios ético e moral? Seus limites? Qual o seu julgamento sobre você mesmo(a)?
(*) Clique no link azul e assista ao vídeo ÉTICA com o educador, filósofo e escritor Mário Sérgio Cortella: https://www.youtube.com/watch?v=suf1Tyh3MTg
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